O que restou, de quem não ficou

Passados 10 meses ele voltou. Voltou com um pedido escondido e vulnerável. Voltou sem dizer que era esse o propósito. Voltou com uma mão cheia de saudades e outra cheia de arrependimentos.

Recordou o que fomos e o que deixámos de ser. As saudades que ficaram do que tínhamos e se perdeu. Confessou-me que nunca mais foi feliz, mas infelizmente manteve o ego firme e forte.

Foram precisos 10 meses, em que eu deixei de implorar, deixei de chorar e deixei de ligar. Precisei agir como se ele fosse um velho amigo para ele se lembrar de que somos o amor da vida um do outro.

Jantámos juntos como fizemos durante tantas noites durante a nossa vida a dois, mas desta vez com um sabor agridoce na boca, o sabor de quem foi mas parece que não passou tempo nenhum. Agora somos dois estranhos que se conhecem por dentro e por fora, e que não se estranham em nada. 

Chorei e solucei o que não consegui neste tempo todo, guardei as lagrimas para os braços certos, no momento certo.

Assim que nos olhámos percebemos que vestíamos e calcávamos roupa a combinar. Ele olhou para mim, sorriu e disse “nós somos uma dupla sempre”.

Abraçamo-nos muito, beijámo-nos com a saudade que guardávamos e nem sabíamos que tínhamos.

Mudou tudo, e parece que não mudou nada. Aquele é e sempre vai ser o amor da minha vida, aconteça o que acontecer. É casa, colo, paixão e amor.

Percebemos que é amor quando passamos por tudo isto, e continuamos aqui, a desejar o aconchego um do outro. Percebemos quando ele diz “você não sabe o quanto é bom estar aqui junto com você”. Somos o porto seguro um do outro.

As vezes a vida obriga-nos a fazer escolhas, as vezes certas, outras vezes erradas, por uma força maior. Mas o amor sempre tem um peso.

A vida deixou de lhe sorrir a ele e a mim, embora eu tenha seguido sem ele. Sem graça, sem emoção, sem motivação. Desde o dia em que ele foi embora da minha vida, não houve mais brilho. Não houve mais fogo, paixão, atração, amor. 

10 meses depois ele voltou, a pedir-me para esperar por ele. “Deixa eu resolver a minha vida e eu volto para a gente ver se consegue ser feliz”.

Que direito tem a pessoa que desapareceu de me pedir para eu esperar por ele? “Eu não vou esperar”, disse-lhe.

O sofrimento e os tombos ensinam-nos a ter amor-próprio. Hoje, eu aprendi a viver sem ele, sem o amor dele, mas seguramente, se o destino quiser, vamos ser para sempre, e de uma forma ou de outra, ele sabe, eu vou esperá-lo a vida toda.

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