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Gavetas

Os anos levaram-me a capacidade de colocar em palavras, nas palavras certas, aquilo que o meu coração, que é quase do tamanho do meu corpo todo, tende em guardar. Feliz ou infelizmente, os anos não me impediram de sentir. Pelo contrário. Mostraram-me que não há idade certa para nada.  Há quinze anos atrás, com desassete anos, era uma menina cheia de sonhos, que sentia demais, sonhava demais, amava demais, a luz ao fundo do túnel era aquele desejo inebriante de que, lá à frente a magia ia acontecer.  Hoje, com trinta e dois anos, a única coisa que se mantém é a esperança. A magia entretanto aconteceu. Foi linda. Vivi os sonhos, senti tudo com a intensidade que me caracteriza. Dei e recebi. Abracei como quem recarregava a bateria para se manter viva. Mergulhei com tanta profundidade e confiança que vir à tona apenas se tornou uma consequência e não uma necessidade. Vivi a vida que quis, com pessoas que tiveram coisas diferentes para me dar: algumas apenas tempo, outras experiênc...

Nunca vos convidei para entrar, mas conhecem demasiado bem a minha casa

Existem duas amigas que quando andam de mãos dadas, se tornam invencíveis. A solidão, que nos leva para lugares sombrios. Esconde-nos as velas, e faz-nos esquecer como ligar os interruptores. E a ansiedade, que nos conta histórias horríveis, planta ideias e faz-nos acreditar, mesmo sem provas. É difícil este caminho. É difícil esta luta contra duas emoções tão fortes. Entender as coisas não as torna menos dolorosas. Às vezes elas separam-se, a solidão vai embora e deixa-me com a ansiedade, que me capta tanto o pensamento e faz-me pensar com tanta força no quão insuportável é, que faz com que rapidamente a sua companheira volte, e as duas, são impossíveis. Têm um grande poder: afastar quem mais amamos. Existe uma delas que eu consigo suportar. A solidão. Consigo abraçá-la e passar tempo com ela. Conversamos muito e ela acaba por me conhecer bem. Sabe o que me faz bem, o que me distrai, o que me deixa feliz. Mostra-me o meu lado criativo, independente, o lado que eu mais gosto em mim. Fa...

O que restou, de quem não ficou

Passados 10 meses ele voltou. Voltou com um pedido escondido e vulnerável. Voltou sem dizer que era esse o propósito. Voltou com uma mão cheia de saudades e outra cheia de arrependimentos. Recordou o que fomos e o que deixámos de ser. As saudades que ficaram do que tínhamos e se perdeu. Confessou-me que nunca mais foi feliz, mas infelizmente manteve o ego firme e forte. Foram precisos 10 meses, em que eu deixei de implorar, deixei de chorar e deixei de ligar. Precisei agir como se ele fosse um velho amigo para ele se lembrar de que somos o amor da vida um do outro. Jantámos juntos como fizemos durante tantas noites durante a nossa vida a dois, mas desta vez com um sabor agridoce na boca, o sabor de quem foi mas parece que não passou tempo nenhum. Agora somos dois estranhos que se conhecem por dentro e por fora, e que não se estranham em nada.  Chorei e solucei o que não consegui neste tempo todo, guardei as lagrimas para os braços certos, no momento certo. Assim que nos olhámo...

CURA

A cura vem com noites como esta... calmas, silenciosas, em que o estar só é sinónimo de paz. Vem com reconhecer o vazio em vez de querer fugir dele.  O renascimento tem silêncio. Tem dias neutros e um coração que ainda não vibra. Tem falta de esperança e desespero. A cura às vezes implica cobrança interior, desgaste mental que chega a ser físico. Vem com incompreenção e perguntas muitas das vezes sem respostas imediatas. Mas vão chegando. A cura também é isso. O entendimento do que no passado era totalmente desconhecido. A aceitação de ciclos que não podem ser ignorados. O nosso corpo e mente são mágicos. Afastam-nos de tudo aquilo que não nos fortalece. Por mais que insistamos, por mais que queiramos ficar por ali, a tentar que as feridas sarem com o curativo errado. O corpo rejeita aquilo que a mente não tem forças para negar.  É quando a cura chega. Quando o entusiasmo volta aos poucos, com paciencia e calma. A vida sabe o que faz            ...

O que fica, quando alguém se vai

 Após um ano e oito meses de “você é a pessoa que eu sempre quis” “que mulher incrível” “eu nunca te vou deixar, você é a mulher da minha vida”, noites de amor, manhãs de promessas, viagens incríveis e uma vida leve, ele foi-se embora com meia dúzia de malas e um “preciso de paz” preso na língua.  Ele foi, mas eu fiquei. Perdida em pensamentos e à procura de respostas que eu não sabia sequer se iam chegar.  Ao fim de dois ou três tombos na vida, não que fiquemos imunes, porque nunca ficamos, mas aprendemos a lidar com as imprevisibilidades da vida. Desta vez, mais madura e mais consciente, percebi que aquilo que os outros fazem, dizem ou decidem, é sobre eles, não sobre nós. Não nos define.  Este término não fez de mim menos mulher, mais fraca, ou menos capaz. Pelo contrário. Fez-me entender que a intensidade não é para todos, que o fogo queima, arde e faz doer e que chega a um ponto que ninguém quer viver nas chamas. Fez-me entender que quem não conversa com os seus...

Akai Ito

Despedimo-nos com um aperto no peito, um olhar triste e uma promessa de regresso que sabíamos que não íamos cumprir. Disseste-me "Vai viver a tua vida, sê feliz, um dia a gente encontra-se".  Eu podia viver mil vidas, tinha a certeza que esse encontro não ia acontecer.  Fomos viver a nossa vida. Vivemos experiencias que certamente naquela época, juntos, não seria possível. Explorámos tudo o que havia para explorar, separados. Fomos vida, demos vida, deram-nos vida a nós. Felizmente, agora sei, não a suficiente. Lembro-me de querer sempre saber de ti, perguntar por ti, não perguntar e ainda assim querer saber se eras feliz. Lembro-me até de ficar feliz pelas tuas conquistas. Guardei-te com amor e carinho num lugar só teu onde mais ninguém tinha acesso e o tempo passou. Faz quinze anos que te amei ao ponto de sofrer horrores por saber que não podíamos ficar juntos, embora quiséssemos. Éramos miúdos. Cheios de vontades e com pouca sabedoria. Olhar para ti naquela altura era como...

"Depois do medo, vem o mundo"

No dia que li esta frase, foi o momento em que entendi tudo.  Depois de toda a tempestade que passou por mim, senti finalmente que descansava sob uma cama de nuvens, cheia de conforto. Achava que era aquilo a recompensa por tudo o que já me tinha atormentado no passado e entreguei-me sem medo. Entreguei-me como quem está tão cansada que coloca as decisões nas mãos de outra pessoa e desfruta do caminho.  Mas Deus tem sempre um plano maior para nós, mesmo quando não entendemos.  Vivi os melhores dias da minha vida, as melhores semanas e os melhores meses. Amei, fui amada, cuidei, fui cuidada, abracei, fui abraçada, beijei, fui beijada. Depois veio a escuridão. Fui deixada como quem fecha uma janela num dia de sol. Assim, nessa rapidez. Os sonhos, os planos, toda a vida que sonhei, puxada debaixo dos meus pés de repente e sem qualquer hipótese de recuperação.  Seguiram-se dias muito duros. Em que me questionei a mim própria, perguntei-me onde é que não fui suficiente, o...

O amor que eu merecia

Há seis meses conheci a pessoa que me mudou. Seria cliché chamá-lo de amor da minha vida, uma vez que ainda estamos a menos de meio do fim da nossa vida, e só podemos tirar elações no final da história. A vida surpreende-nos, sempre. Normalmente, quando menos esperamos. Sendo eu uma pessoa de vivências, é curioso conseguir distinguir os sentimentos que guardo dentro do peito. Ao longo da vida temos alguns amores. O da adolescência, que nos faz acreditar que tudo é um conto de fadas, mas mais tarde ou mais cedo nos quebra. O da vida adulta, que julgamos eterno e melhor ou pior, é o que temos. Mas depois existe isto. Que ainda não sei bem definir. Acho que lhe vou chamar o amor que eu merecia. Este amor traz com ele a paz. Traz a paz de um final de tarde de domingo aconchegados no sofá embrenhados na felicidade da presença um do outro, sem que seja preciso mais que isso. Traz a energia de acordar cedo numa manhã de sol, com o entusiasmo de uma criança radiante por ir brincar no p...

Olá Pai

Há algum tempo alguém me disse que devia escrever-te. Não tive vontade e a ideia deixou-me revoltada. Ainda não sei se irás ser conhecedor destas palavras, mas agora tenho vontade e necessidade de as dizer. Há muita coisa que não sabes. A primeira, é que quando estamos dentro da bolha não conseguimos enxergar para fora dela, achamos que só existe aquele mundo, que é tudo imaculado e que fora dele é o desespero e que ficamos sem chão. Pois então vou dar-te uma novidade que talvez não saibas: eu desesperei e perdi o chão. Porque tal como tu, só conhecia o mundo dentro dessa pequena e apertada cúpula, onde tu vives e eu acredito que sempre viverás. Sempre vivi sob um céu estrelado que achei que me iria iluminar a vida inteira, que nunca me deixaria perder o rumo, e a verdade é que continuo a viver. Tenho muito de ti, mas sou uma versão muito mais melhorada. Tu, não saberias levantar-te do caos, e eu não só me levantei, como voltei a subir. Sabes porquê? Porque sempre me recusei a ficar al...

O teu nome não é Jonny, é amor

Há dias em que tenho de correr para o ecrã porque sinto que o que me ocupa a cabeça tem de rapidamente ser descarregado antes que se perca na imensidão dos meus pensamentos. Outros que apenas sinto que tenho de dizer algo, mas não sei bem o que. Este é um destes momentos. Estou colada ao ecrã a deixar que os meus dedos deslizem pelas teclas à medida que os pensamentos me surgem. Não sei que tipo de escrita é esta, eu chamo a que me deixa de coração mais calmo, porque neste momento está bem apertado. Chegou ao fim mais um ano. Mas este é especial. Achei que ia ser igual aos outros, meio sem graça, em que andamos aqui a procura de algo que nos faça sentir e tentar idealizar um objetivo que está muito lá ao fundo, mal o vemos, mas guardamos a esperança de um dia o alcançar. Era essa a minha posição, e tristemente tinha-me entregue a ela de corpo e alma. Felizmente tenho pessoas maravilhosas à minha volta que me abrem os horizontes todos os dias. Umas com palavras doces, outras com palavra...

As saudades doem no coração

No dia em que te conheci e sorriste para mim, invejei por segundos a tua boa disposição. Desejei tê-la comigo todos os dias. Porque é muito bom termos ao nosso lado alguém que sorri como nós, que tem uma energia positiva igual a nossa e um astral alto. E isso percebe-se nos primeiros minutos de conversa. Existem pessoas felizes por natureza, pessoas com dias felizes e pessoas que se queixam todos os dias, essas são com certeza infelizes. Percebi que eras dos meus. A vida podia ter-te dado as maiores cargas, eu nem sequer as conhecia ainda, mas tu eras feliz. Dos que acorda num dia de chuva e anseia o arco-íris. Eu que sou de pensar muito e de imaginar cenários, não imaginei nenhum. Embrenhei-me na conversa até perder a hora, perder o motivo e perder o chão. Perdi-me até hoje, em que me sinto completamente envolta neste sentimento que não tinha há tanto tempo quanto me consigo lembrar. Estás a uma distância de 7800km de mim, levaste contigo o coração que eu te entreguei sem sequer...

Coragem

Costuma-se dizer que a vida primeiro nos faz fortes, depois felizes. Sempre ouvi isso. Mas nunca tinha entendido o momento em que me fizeram forte, uma vez que sempre fui feliz. Entretanto, ele chegou. Já há algum tempo. Pontapearam-me, rasgaram-me ao meio e atiraram-me por um precipício. Quando cheguei lá abaixo e acordei, tive de piscar os olhos uma quantas vezes para ter a certeza de que estava viva. Aparentemente, ainda respirava, tinha pulsações e continuava a ter visão, embora muito distorcida da realidade. Não me perguntem como ficou a minha cabeça. Ainda hoje eu não sei dizer.  Quando estava lá em baixo e olhei para cima, ouvi vozes, vi braços estendidos e senti muita energia a envolver-me. Isso deu-me força, mas também me fez perceber que para chegar ao topo eu teria de me recuperar e subir pelo meu próprio pé. Foi aí que começou a jornada da força. Fui buscá-la ao meu mais profundo ser. Fui buscá-la ao fundo do meu coração completamente despedaçado. Foquei-me na esperança...

Caso indefinido

Acreditam em amor à primeira vista? Eu não acreditava, nem deixava de acreditar. Nunca me tinha acontecido. Cheguei a pensar que a vida era isto, e que tinha de me resignar aquilo que tinha e não ia haver espaço para ser mais feliz. Cheguei a focar-me nisso com tanta força, que quase acreditei que não ia ser mais do que era. Ter mais do que tinha. Foi preciso chegar aos trinta anos para me forçar a pensar de outra forma. E o poder da mente, de acreditar, move montanhas. Sou de encantamento fácil, gosto de me apaixonar por aquilo que as pessoas mostram ser, por conversas intensas, por cara bonitas, por olhares profundos. Mas essencialmente, gosto de preencher espaços por inteiro, espaços que por norma estão lá mas que nunca são totalmente preenchidos. Falta sempre qualquer coisa. Mas ao chegar à “idade que muda a nossa vida” eis que chega ele. Sabem aquele choque de realidade que nos faz ver a vida a passar a frente em minutos? Foi isso. Sabem quando o dia está chato demais e só quere...

A despedida que não estava nos meus planos

Acho que nos perdemos algures por aí. Não sei dizer onde, nem quando. Se nos dias em que preferiste outros planos em vez de a mim ou nas noites em que deixei de me importar com o que seria a tua refeição no dia seguinte. Achei que íamos ficar juntos para todo o sempre, como nos filmes. Mas já sabemos, tu sempre me disseste que haviam coisas que só aconteciam nos filmes. Enganaste-me nisso. Provavelmente enganaste-te a ti também. Há coisas incríveis que podem acontecer na vida real. Sabe que foste sempre presente, leal, amigo, protetor, cuidadoso, preocupado e parceiro. Para muitas mulheres isto seria o que basta. Mas eu sempre senti que o mundo tem mais para mim. Quase sempre ficaste feliz em me ver chegar, mais feliz ainda se eu já tivesse chegado antes. Preparavas a comida, tratavas das tarefas e davas-me um beijo de boa noite e de bom dia, todos os dias que passámos juntos. Não posso dizer uma falha nesse ponto, porque não houve. Mas acho que foi aí que nos perdemos. Tornaste-te o m...

Guarda-me

Dei-me conta de que as coisas mais bonitas da vida acontecem quando estamos a fazer outros planos, ou quando estamos simplesmente distraídos. Distraídos o suficiente para os acontecimentos chegarem até nós num sussurro. Foi assim que chegaste. Com um jeito envergonhado o suficiente para mostrar quem eras, mas descarado quanto baste para eu me interessar por descobrir. E aos poucos, fui descobrindo, e aos poucos, foste mostrando.  Existem beijos que nos beijam a alma, mas já sabemos disso. não é? Toques que nos dilaceram e momentos que nunca mais esquecemos, por mais que queiramos. Porque foram intensos, porque nos marcaram e porque foram fortes o suficiente para meter uma estaca a marcar presença. Sempre acreditei que se somos grandes demais para agir, também temos de o ser para acartar com as consequências dos nossos actos, é aqui que nos encontramos. Esta consequência dói no peito, aperta o coração, faz nó na garganta e cria insónias. Porque sei onde estás, mas não te sinto, não ...

Ferida

 Li algures que de alguma forma o sofrimento nos coloca diante nós próprios. Na altura não entendi bem a frase, mas guardei-a porque senti que algum dia iria fazer sentido. Tocou-me. Hoje consigo entender o porquê de não lhe ver o significado. Não tinha tido ainda oportunidade dispensável de me ver refletida na poça das minhas próprias lágrimas. Hoje o sofrimento bateu a minha porta. Por nada em especial, por tudo num todo.  Quando respondia a questões como “descreve-te num pequeno texto” ou “quais são as características que te definem”, a minha reação era logo um sorriso nos lábios - isto é música para os meus ouvidos - pensava eu, porque escrever era a minha paixão e descrever-me era a minha facilidade. Então era quase como uma melodia escrita em que tentava colocar em palavras que era feliz. Tão feliz. Que era alegre, que a simpatia morava em mim. Que era uma miúda doce, que as pessoas trocavam dois dedos de conversa comigo e logo me adoravam, porque simplesmente “o santo b...

Avó

 Gostavas de usar brincos, colares e anéis. Tinhas milhares. Uma vez disseste que quando morresses eu ia herdar as bugigangas todas. Ri-me e abracei-te “nunca vais morrer”. Eu sabia que ia chegar o dia, mas pensar nele doía. Doía no peito, na alma e no corpo todo pela fraqueza que provocava. As vezes pensar nisso enchia tanto que me fazia transbordar. Contigo transbordei tantas vezes. Apesar de tudo. Acima de tudo. Não me escolheste na última vez, mas escolheste-me a vida toda. É por isso que o meu coração agora não para de doer. Porque eu sei que sempre me escolheste. A vida quis que os nossos caminhos seguissem separados e eu julguei que lidaria bem com isso. Tenho lidado… varrer a poeira para baixo do tapete é tarefa fácil. Eu só não contava ter de o levantar tão cedo. Pensar em ti é pensar num amor incondicional, mas que me deixa triste pela forma como acabou. Cuidaste de mim a minha vida toda. Ainda ontem, se eu queria fazer a árvore de natal eras tu que estavas ali a ajudar-m...

Foste amor

Um dia destes alguém dizia que me tornei numa pessoa fria, que fizeram de mim uma pedra. Nunca mais me esqueci disso. A vida e os acontecimentos fizeram de mim alguém que nunca quis ser. Insegura, cheia de medos, com algum rancor e raiva. Tudo sentimentos com os quais eu sabia lidar. Agora, olhando para trás e parece que é bem mais atrás do que o que realmente é, só queria voltar a ser quem era. Tenho saudades minhas. Mais do que qualquer outra coisa. E o mais irónico é que não mudava uma vírgula de todas as decisões que tomei, de todas as escolhas que fiz. Foram sempre regidas por sabedoria, respeito pelo próximo e amor. Porque eu sou amor. E por quem não sabe isso eu só consigo sentir pena. Há venenos que nos cegam para sempre e é preciso muita força para conseguir sair daquilo que nos mata, silenciosamente. Infelizmente, há quem já não tenha essa escolha. No entanto, a vida encarrega-se de tudo. Tenho tido provas constantes. A vida tira e dá na proporção certa, a todos aqueles que a...

Um dia escrevo a nossa história, hoje é o dia

Conheci-te num dia em que a tua presença não fazia diferença nenhuma. Estavas no teu lugar. Eu estava no meu. E tudo bem assim, aparentemente. A história podia nem chegar a ser realmente uma historia e acabar ali, mas algum tempo depois tu sentiste o cheiro do meu cabelo, e gostaste. Mal sabíamos nós o que um cheiro seria capaz de provocar. A maior parte das pessoas iria ignorar isso e pensar no politicamente correto. Mas tu sabes, nós não somos a maior parte das pessoas. Nós seguimos aquilo que nos atrai. E assim foi. Foi atração, muita atração, tanta, como a força de dois polos que se querem unir com urgência. Foi a embriaguez de um cheiro com a inconsciência de tantos olhares penetrantes. Não sabia o que era aquilo, que me fazia perder o raciocínio, que me puxava com tanta força e que não me deixava pensar em mais nada. Fizemos jus à vontade e consumimo-nos como se o amanhã não fosse chegar no dia seguinte. Mas nós sabíamos, o amanhã sempre chega. O ciclo repete-se consecutivament...

Amor, estou apaixonada!

Olá amor, Há já algum tempo que não nos falamos, que não sabemos nada um do outro, e há uns poucos dias que o nó que se forma na minha garganta, sempre que preciso de transbordar pela boca o que me vai no coração, me avassala. Acho que preciso de te contar, porque afinal, eu sempre te contei tudo em primeira mão: Estou apaixonada. Desde há muito tempo que não sentia o que sinto neste momento. Já nem me lembrava bem da emoção de um início. A ansiedade, a vontade de querer estar perto, de abraçar, de querer cuidar, de sentir que aquela pessoa faz parte de nós. Está aqui. Estou a sentir tudo isso. Acho que nem conseguirias acreditar. Tenho vivenciado coisas que nunca antes fiz. Coisas simples, sabes? Sem muita complicação. Sem muita confusão para decidir tudo. Pegar no carro e ver para que lado da estrada nos apetece ir, pode ser tão bom. Temos coisas tão lindas, tão perto de nós. Nem acredito que não dava atenção antes às pequenas coisas. Acho que queria tanto correr, que me esqueci...