Entre a luz e a escuridão

A luz estava apagada, a televisão havia sido desligada, a caixa de entrada do telemóvel estava agora vazia sem qualquer tipo de pressentimento de chegada. A página de conversação convertia-se numa pequena e estulta frase: “ Não há conversações activas”. Na minha cabeça estavam apenas presentes o lado escuro, e tu, que não sei bem em que parâmetro te enquadrava, ou se realmente te enquadrava. Na altura, senti frio, uma corrente de ar como se todas as janelas daquela modesta casa estivesses abertas, para ti, e apenas me traziam pouco mais do que banalidades, às quais eu dava a mínima importância, menos tu.
Ali, o factor dominante era a esperança, esperança de, quem sabe, poder obter a luz do dia, no meio daquele negro que parecia não ter fim, esperança de poder ter uma nova possibilidade, com uma nova “estrela-guia”, como se começasse tudo de novo…
Aguardei até à última, esperei até perceber que tinha de desistir. Apesar de no fundo nunca ter ido embora por completo. Foi-me dada a oportunidade de ver o fundo do túnel, o túnel onde me vejo agora encurralada, presa a ti. E eu, como se tivesse em posição de recuso, recusei-me a olhar. Não quis ver o fundo dele, e agora não encontro a luz, a luz por quem eu queria ser guiada, a luz que me ia guiar para longe daqui, aquela que eu sabia que gostava de mim, tanto, para me dar a mão e mostrar-me o outro lado do resplendor.
Mas isso já não é permissível, a luz já não está visível aos meus olhos, e eu por muito que queira, já não consigo soltar-me de ti.
Para ti, luminosidade, um dia vamo-nos encontrar, outra vez. És como a esperança, sempre a última a morrer. 

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