Faltou o quase
Dei tudo e tu nem metade conseguiste retribuir. Creio
que tens ou pelo menos tinhas muito mais para dar, muito mais para perdoar e
muito mais para receber, e disso, não duvides. Limitaste-te tanto, que acabaste
por limitar os teus próprios sentimentos de forma a que eles de uma maneira desventurada
e distinta se acabassem. Supera-me, e nem consigo ter uma pequena noção daquilo
que não conseguiste ser… Era assim tão difícil? Só tinhas de te deixar levar, e
o resto, era comigo. Custava assim tanto pores a soberba de lado só por uns
instantes, e pensares em mim? Custava muito? Sabes o que tens hoje? É nada. E
tu próprio é que escolheste um fim, tiraste apenas partido daquilo que achavas
valer a pena e o resto, deixas-te para trás. Nunca foste capaz de admitir os
teus erros, preferis-te sempre guarda-los para ti, pensavas que nunca ninguém
os iria descobrir, mas enganaste-te. Descobriu-se, e da pior forma que alguém
pode descobrir uma perca. Sabes… sempre dei valor a tudo aquilo que tínhamos, e
dávamos um ao outro, podia parecer que não, mas mais que qualquer coisa no
mundo, eu surpreendia-me pela positiva. Mostraste-me os dois lados da vida, o
bom e o mau, só tive pena de teres invertido a duração de ambos. Devíamos ter
passado mais tempo felizes, devíamos ter dado mais atenção a nós próprios e àquilo
que sentíamos e deixar o resto do mundo achar o que bem entendesse. Mas não,
para ti o mais importante foi dar ouvidos aos outros de fora, foi trocares-me
por coisas que nem uma terça parte de mim valem, para ti aquilo que mais
importou foi as opiniões, as opiniões desfavoráveis vindas de outros meios.
Perdemos tempo de mais com tudo isso, enquanto podíamos olhar para nós e ver
aquilo que ambos tínhamos. Tínhamo-nos aos dois e no meu ver, era mais que
suficiente, mas parece que para ti não bastou. Tenho pena, neste momento é a
única coisa que consigo sentir. Já não é amor nem muito menos ódio, é pena.
Pena de termos deitado a perder o mais formidável dos sentimentos. O amor,
ainda te lembras? É algo que se está a tornar cada vez mais raro e era algo que
nos tínhamos presente, mais que nunca… E até a isso tu te reservas-te. Faltou o
quase. Por muito esforço envolto, faltaram palavras, actos, faltou o que ficou
por fazer. E desta vez, não vivemos felizes para sempre.
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