Volta

Não te oponhas. Não esqueças e não digas que foi em vão. Podes até não querer saber de mim, podes não me olhar nos olhos e dizer que não sou nada, pois quando é isso o que dizes, estas a proferir que sou tudo. Não digas que me esqueceste. Nunca faças passar ao mundo a imagem de que não houve uma coisa bonita de se ver. Encara-me como algo bom que simplesmente, aconteceu, e… já acabou? Uma pergunta à qual eu nunca saberei resposta, e tu por muito que tentes nunca me vais conseguir responder correctamente. Lembras-te quando “juntos” era a nossa melhor palavra? Nem que estivesse tudo do avesso, nem que desabasse o mundo ali mesmo à nossa volta. Nada era mais importante que NÓS, e isso era das poucas coisas que me fazia sentir segura de mim, e de ti. “Nós” era como uma certeza, a única visível ao ponto mais alto que poderíamos estar, e agora, caiu. Não sentes falta e vontade de voltar a subir? Eu sinto… Não sentes falta do meu sorriso, do meu olhar, das minhas palavras, do meu jeito, de tudo aquilo a que tu chamavas de único… Não sentes? Já não tens saudades de mim? De me tocar e de me dizer que íamos ficar juntos para sempre? Eu continuo a sentir. Por muito que eu tente, não te consigo por num passado, és e sempre serás o meu presente mais vivido! És quase como um bem inesgotável, e que para mim NUNCA irá acabar. É estranho. Mas é como se ainda fosses parte de mim, e não pudesses ficar longe, se calhar, não podes. E talvez sinta isto porque parte de mim, foste tu que a fizeste, foste tu que a construíste e deste vida. Nunca tinhas notado isso, pois não? Presumivelmente nunca tiveste na verdade, uma real ideia do que eu era, do que nós juntos éramos e construíamos… Eu provavelmente também não. Mas afinal, o que é que isso importa agora? Agora, nada importa, estamos longe, embora perto. Eu já não te sinto, embora estejas sempre aqui. Já não te sei beijar, o tempo fez com que desaprendesse. Já não me lembro de quem eras, podes-me voltar a dizer? Podes voltar a dizer que sim?

Volta.


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